sábado, 21 de agosto de 2010

Amy and me

       Estava sozinha esperando o maridão, fui tomar banho e coloquei meu DVD predileto, havia  meses que não ouvia: "Back do Black". Mais uma vez não resisti ao talento e meu coração pareceu pular quando aqueles versos foram jogados em meu quarto, adentrando o banheiro e mirando meu peito esquerdo, uma artista tatuada, dona de si, tumultuada, drogada, histerica e de coração em chamas, se Clarice Lispecto lhe dedicasse um conto seria o  "Coração Selvagem".
      Não que eu seja preconceituosa, mas em todas as encarnações creio que realmente nasci mulher, tenho uma admiração, melhor uma devoção por mulheres forte, inteligentes. Amy tem tudo isso e muito mais, traz a estigma de uma mulher revolucionária que só quer uma coisa: se encontrar no mundo, conjugando o verbo com muita ênfase, ela vai de altos à baixos rápido demais, o albúm a qual estou ouvindo  tem 11 musicas, todas escritas por ela, de cabeça, sem rascunho, decoradas na mente e coração, onde ela canta e a cada vez muda a letra ou a melodia, esquece, repete, a musica é dela, ela faz o que quiser, são músicas de diário, são rezas ao pé do ouvido, são confissões que fazemos para si mesma, ao pé da cama, " no chão da cozinha chorando..."
         Amy faz jus a cada manchete que sai sobre ela e nelas acreditem pois como ela mesma diz: tudo, tudo é verdade. Aquele vozeirão de black music põe no chinelo Christina Aguilera que também tem o timbre vocal de cantoras negras. Ah Lady Gaga que me perdoe neh...
        Amy choca qualquer questionamento quando abre a boca, bêbada ou não, drogada ou não quando ela canta é de fragmentar corações, é afagar o ouvido, aquele video onde ela tá muito bebada cantando garota de ipanema é surreal.
       

         As dancinhas dela então.... Eu nunca tinha ouvido  falar nela quando, um dia, eu estava naquele barzinho Cowboy ( foi lá que conheci o namoridão) e vi de longe ela cantando na TV, esse mesmo DVD que estou ouvindo e no meio do barulho imenso eu vi aquela musica : Love is a losing game, enxerguei uma lágrima caindo do fim do olho dela, com aquela maquiagem pesadíssima que expõe seus olhos que sugam o mundo. Essa musica é uma obra prima, confessional, aberta, sangrando em plena pele. Quando ela fala: Porque eu nunca quis jogar esse jogo? Lindo, só um coração despedaçado entende a profundidade, entende o que é chorar no chão da cozinha. Entende a linha quase imperceptível entre o amor e o ódio. É impossivel ouvir Amy e não dar aquele estalo no peito e inimaginável ouvir Elis cantando "atrás da porta" e não pulsar as veias do pescoço, não embolar a garganta...
video
        
       Quem dera uma geração Amy e  Elis Regina, quem dera Clarice Lispector conhecendo essa mulher que tem minha idade e uma bagagem sentimental e vivencias indescritiveis.
         
        Seria impossível falar qual música me toca mais ou menos, seria como escolher uma no repertório do meu, meu, meu Chico rsrsrrs. Mas antes de escutar tente entender a letra e todos os contornos dela. E abrirá a porta para uma das escritora mais reais, forte e sentimentais deste novissimo século.
bjs.
         OBS: Chico escreve como mulher, prestem atenção as músicas dele são todas no feminino.
      

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